recent posts

banner image

A Vilã: Um filme de ação sul-coreano aplaudido de pé em Cannes que vai te fazer surtar!


Eu deveria ter feito essa review logo no momento em que terminei de assistir a essa grandiosa e impressionante obra de arte sul coreana dias atrás, mas confesso que fiquei tão impactada (e ainda estou) depois de vê-lo que me vi paralisada na poltrona sem saber como seguir com a vida hahah. Ainda estou tentando processar as imagens incrivelmente espetaculares no meu cérebro! 


"A Vilã" (The Villainess 악녀 2017) começa de um jeito arrebatador, com um plano-sequência (sem cortes) filmado com uma câmera subjetiva que nos coloca em primeira pessoa dentro da ação, como se nós espectadores estivéssemos no lugar do personagem sabe?! E essa sequência eletrizante dura cerca de uns 8 minutos em tela. 8 MINUTOS em plano sequência e quase no final da abertura do filme é que podemos conhecer a cara da demônia a protagonista, Sook-hee (Ok-bin Kim), numa jogada da câmera deixando-a em foco diante de seus inimigos! E tudo isso utilizando uma linguagem (logicamente proposital) de vídeo game, é só reparar nos momentos em que ela recarrega as armas eliminando seus inimigos um a um. Tudo bem dinâmico sem perder o ritmo inicial que vimos desde o primeiro minuto. Deu pra sentir o impacto? Isso é só o começo.

A principio não temos como saber o que está acontecendo para aquela ação toda ser desencadeada mas uma coisa fica nítida e clara, é que a responsável pela pancadaria é phodona com PH sim! Pronto, passado esse primeiro show visual começamos a entrar no roteiro que gira em torno do recrutamento de Sook-hee pela inteligência de seu país e que, depois de fazer uns 'trabalhos sujos' por dez anos, ela estará completamente livre para seguir sua vida.


Com a ajuda de alguns flashbacks encabeçando a estrutura narrativa do filme, nós espectadores, ficamos sabendo que aquela jovem foi treinada desde criança para tornar-se uma assassina profissional. Porém essa estrutura fica um pouquinho comprometida justamente por conta dos tais flashbacks e centenas de caminhos meio sem necessidade (como por exemplo quando ela assume sua identidade secreta como Yeon-soo Chae, uma atriz de teatro precisando aprender a lidar com uma rotina baseada em aparências para não levantar suspeitas sobre seu verdadeiro propósito) em que o filme tenta traçar em contra ponto do arco principal que está localizado justamente nos tiros, porradas e bombas esplendorosamente super bem executados com ajuda de planos abertos, detalhados e imersivos dando uma real profundidade e intimidade conosco que estamos assistindo às cenas surreais e mirabolantes acontecendo diante de nossos olhos ao longo de 2h e alguns minutos de projeção mas não fica cansativo. Pelo contrário, cada minuto que passa dá vontade de saber o que vai acontecer nas próximas cenas. 


O grande trunfo de "A Vilã" está totalmente concentrado na violência, no sentimento e propósito visceral da protagonista em vingar-se de tudo e todos pela morte brutal de seu pai e marido ocasionando o confronto de seus segredos e traumas de seu passado. É a partir dessa premissa em que o filme desenrola-se durante uma ação frenética (exceto pelo segundo ato onde foca-se na "humanização" e "problematização" dos personagens que acaba dando uma leve quebrada no ritmo mas nada que comprometa o rendimento). Todo o ódio, magoa e rancor de ter sua vida virada ao avesso por conta das perdas que sofreu torna-se um atrativo constante no desenvolvimento da vilã-titulo e é perceptível em seu olhar transformando em atitudes.    


E o filme segue nessa trilha alucinante de porradaria constante, perseguição em alta velocidade em avenida movimentada, tiroteios, sangue para todo lado, efeitos visuais e especiais minuciosamente bem elaborados, altos truques e jogadas de câmera incríveis que faz a gente pensar: "como é que esse diretor conseguiu fazer isso gente?". Destaco a ultima sequência do ônibus no ato final (imagem acima). É DE CAIR O C* DA BUNDA, viado!

A belíssima e evocativa fotografia da paleta de cores em tons escuros voltados para o vermelho vivo do sangue que domina o filme, também merece destaque, contrastando com primoroso trabalho de design de produção, direção de arte, som e montagem do longa torna-se bastante assertivo diante da história básica (até clichê) porém bem contada sobre vingança e redenção que vemos sob as lentes do diretor sul coreano Byung-gil Jung que também o roteirizou em parceria com Byeong-sik Jung

"A Vilã" é um filme simples em sua base porém devastador, fascinante em termos de técnicas visuais (uma verdadeira aula de como fazer um bom filme de gênero), maravilhosamente bem dirigido, com uma protagonista poderosa, avassaladora e enigmática ao ponto de deixar a gente se perguntando: e agora qual será o próximo passo dela? É um filme que merece ser visto e revisto quantas vezes for necessário e vai ficar na tua cabeça por muitas horas. Digno de todos os prêmios que venceu nos festivais de cinema mundo afora. 


Entrou na minha lista de melhores do ano e acredito que vai entrar na sua também. Ah, não tem na Netflix não. Deixa de preguiça e vai procurar um torrent urgente pra conferir este hino! #DáVontadeNéHollywood?

Recomendo você assistir quando estiver sozinhx sem ninguém para atrapalhar sua experiencia de imersão na bagunça organizada que ele nos entrega. Vai por mim, vale a pena e muito. Depois volta aqui e me diz o que achou.


A Vilã: Um filme de ação sul-coreano aplaudido de pé em Cannes que vai te fazer surtar!  A Vilã: Um filme de ação sul-coreano aplaudido de pé em Cannes que vai te fazer surtar! Reviewed by Niedja Williams on 07:37:00 Rating: 5

Nenhum comentário:

Tecnologia do Blogger.