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Desconstruindo o tal do “homossexualismo” parte 1 – Psicologia e Genética

Desconstruindo o tal do “homossexualismo” parte 1 – Psicologia e Genética

A partir desta segunda-feira (21) o blog vai ganhar a coluna LGBT, voltada a discutir assuntos importantes sobre a comunidade com matérias no intuito de quebrar preconceitos a respeito do tema. Para dar as boas-vindas, vamos tratar de um assunto bem extenso, para isso, será necessário dividí-lo em três partes:

  1. A Homossexualidade na visão da psicologia e genética.
  2. Questões religiosas.
  3. Visão social.

Para entendermos melhor a homossexualidade, devemos primeiro desconstruir o termo homossexualismo, esse uso inadequado e preconceituoso de terminologia afeta a cidadania e a dignidade do público LGBT. Porque? O sufixo ‘ismo’ (terminologia referente à ‘doença’) foi substituído por ‘dade’ (que remete a ‘modo de ser’). 

Antes que pensem: “mas JornalISMO tem ismo e não é doença ” Bem, esse sufixo de origem grega, exprime a ideia de:

  • Fenômeno linguístico.
  • Sistema político.
  • Religião.
  • Doença.
  • Esporte.
  • Ideologia.
  • Etc.

Para falar melhor sobre a questão histórica e psicológica da homossexualidade, convidei meu amigo Almir Ramos, formado em Psicologia na Facho (Faculdade de Ciências Humanas de Olinda), segue abaixo o depoimento:


Sobre a homossexualidade, o termo é bem recente ele foi formado em 1892, a partir do Grego HOMOS, “o mesmo”, mais o Latim SEXUS, “sexo”, ou seja, "sexo entre os mesmos". Apesar do termo ser bem recente, A prática sexual entre os mesmos é bem mais antiga.

Cerca de 10 mil anos atrás já exercitavam algumas formas de homossexualidade em rituais. Os melanésios acreditavam que o conhecimento sagrado só poderia ser transmitido por meio do coito entre duplas do mesmo sexo. No rito, um homem travestido representava um espírito dotado de grande alegria – e seus trejeitos não eram muito diferentes dos de um show de drag-queens atual.

Um dos grandes pensadores da história, Sócrates (470 a.C. - 399 a.C.) chegou a declarar que "o sexo anal era sua melhor fonte de inspiração e que relações heterossexuais serviam apenas para procriação." Ele influenciou quase todas as linhas de pensamento que vigoram no mundo atual. Depois dele temos outro grande homem, Alexandre O Grande ou Alexandre Magno (356 a. C. - 323 a.C.) que foi um dos mais notáveis e que expunha claramente sua orientação. Fora um grande desbravador que enriqueceu o seu império conquistando territórios com bravura e astúcia. Dizem que ele se casou 4 vezes, mas que mantinha o mesmo amante, Heféstion. Cuja morte trouxe-lhe uma grande pesar a ponto de ele não comer nem beber por vários dias.

Harvey Milk foi um político e ativista gay, o primeiro a ser eleito em um cargo público na California.

Ao longo da história temos muito nomes como Leonardo da Vinci (1452 – 1519), Harvey Milk (1930 – 1978), Alan Turing (1912 – 1954) e Tim Cook (1960 –).

O leitor deve estar sem saber o motivo de percorrermos a história para falar de um assunto tão atual. O motivo é claro, a homossexualidade não é uma "invenção" da modernidade, sua existência é tão antiga como a criação das civilizações.

Porém, temos ao longo da história, já no início do primeiro século, as primeiras proibições. A condenação dos gays veio com a ascensão das religiões monoteístas. Em 533, o imperador cristão Justiniano assinou a primeira lei que proibia as práticas homossexuais. A pena pelo “crime” podia ser a morte. Nos séculos seguintes, a história da comunidade gay foi marcada por condenações, perseguições e assassinatos. Isto ocorreu durante toda a idade média.

No século XVII, Chegou a contaminar a ciência médica, que, como toda ciência, segue as "rédeas" da sociedade vigente e sofre por seus percalços. Ora pelo pensamento dos conservadores médicos, ora pelo financiamento de pesquisas que comprovem o que é de interesse para algumas classes dominantes.

No entanto, Freud responde que "(…). Eu tenho a firme convicção que os homossexuais não devem ser tratados como doentes, pois uma tal orientação não é uma doença. Isto nos obrigaria a qualificar como doentes um grande número de pensadores que admiramos justamente em razão de sua saúde mental (…). Os homossexuais não são pessoas doentes" (1903 apud Menahen, 2003).
Ainda temos a famosa carta de Freud, escrita em 1935, a uma mãe americana que solicita seus conselhos sobre seu filho homossexual:

A homossexualidade não é, certamente, nenhuma vantagem, mas não é nada de que se tenha de envergonhar; nenhum vício, nenhuma degradação, não pode ser classificada como doença; nós a consideramos como uma variação da função sexual (Jones, 1979).

Temos então, em 1985, o Conselho Federal de Psicologia (CFP) brasileiro que deixa de classificar a homossexualidade como desvio sexual.

Em 17 de maio de 1990, a Organização Mundial da Saúde (OMS) retirou a homossexualidade da lista de doenças mentais do Código Internacional de Doenças. A decisão também eliminou o uso do sufixo ‘ismo’, desvinculando a orientação sexual da ideia de enfermidade. A data é tão memorável que passou a marcar o Dia Internacional de Combate à Homofobia.

Em 1999, uma nova resolução do CFP estabeleceu regras para a atuação dos psicólogos do país: a orientação sexual dos pacientes não deveria ser considerada doença, distúrbio ou perversão – muito menos, algo a ser ‘curado’.

Finalmente. A atividade sexual, desta ou daquela forma, é uma relação de afeto, de sexualidade (com ou sem genialidade), ambas são intimas e de interesse de cada sujeito, não havendo normas morais, apenas leis que impeçam estas ou aquelas por motivos de sanções em esfera penal (como pedofilia, estupro ou outras), mas que não impedem as demais (podolatria, fetichismo, exibicionismo, sadomasoquismo, entre outras), sejam em expressões homoafetivas quanto heteroafetivas, o que há de mais importante é a realização dos envolvidos, suas disposições livres, sem culpa, sem medo, sem receio, mas livre de todas as amarras mentais.

Ainda (r)existe, Apesar dos pesares, uma (re)tentativa de caracterização ou categorização do ser em suas atividades sexuais, como exemplos temos "hétero", "gay", "trans", "lésbica","bi"... Porém o ideal é que não haja padrões, que João faça sexo como "João", não como "hétero", que Pedro faça sexo como "Pedro", não como "gay", que Maria faça sexo como "Maria", não como "lésbica". Ou seja, não há gays com os mesmos trejeitos, não há lésbicas com as mesmas medidas, não há héteros com as mesmas práticas, não há bis com as mesmas diversidades.... Em suma, que cada sujeito único tenha suas atividades sexuais do seu jeito e de nenhum outro, que sua singularidade não seja contaminada pelos estereótipos ou classificações ainda impostas pela sociedade, mas exercitando sua sexualidade e afetos livremente, sem medo de errar por ser "João", "Pedro" ou "Maria". O importante é amar sendo amado!



"Não existe cromossomo gay. "

Vou tentar explicar da forma mais simples possível. O impulso sexual depende, em parte, da herança física. No início, na concepção, o sexo genético, do embrião é determinado por um único par de cromossomos, os cromossomos sexuais. A união entre óvulo e espermatozoide produz uma única célula-ovo, que é chamada de zigoto. Ovulo e espermatozoide recebem, cada um, apenas um membro de cada par das células germinativas. Sendo assim, ao se unirem, o zigoto passa a ter um conjunto completo de 23 pares. Os primeiros 22 pares de cromossomos contem membros que se combinam. O 23º par, cujos membros nem sempre combinam, determina o sexo da pessoa. As mulheres possuem dois grandes cromossomos, chamados cromossomos x, já os homens têm um x e outro menor denominado y. Como é o homem que entrega o cromossomo x ou y, é ele que determina o sexo do bebê. Ou seja, quem fala que não existe cromossomo gay está cometendo um equívoco pois também não existe cromossomo hétero, uma vez que cromossomo xx ou xy determina o sexo do bebê, sexo e sexualidade são coisas diferentes, e mais pra frente você vai entender o porquê. 


Ser gay é genético?

Um estudo recente, feito pela New Scientist, afirmou, com fortes evidências, que ser gay é algo provavelmente determinado geneticamente. Os pesquisadores analisaram amostras de sangue e de saliva de 409 pares de irmãos (incluindo gêmeos não-idênticos) ao longo de um período de cinco anos, à procura de locais compartilhados de marcadores genéticos chamados polimorfismos de nucleotídeo único (SNPs). Eles encontraram cinco SNPs encontrados comumente compartilhados pelos gays, todos agrupados em dois locais distintos em cromossomos distintos.

Porém, o estudo não identifica qual das centenas de genes localizados em cada lugar pode estar envolvido no comportamento sexual. Mas, para um dos principais autores do estudo, Alan Sanders, a “nova evidência não é prova, mas é uma boa indicação” de que os genes nos dois cromossomos têm alguma influência sobre a condição sexual de tal pessoa.

Ao ser entrevistado pelo Daily Mail, Chad Zawitz, um dos médicos que participaram do estudo, conta que esse trabalho é um salto enorme para responder a perguntas científicas sobre a homossexualidade e também ajudar na redução dos estigmas enfrentados pela comunidade gay:

“Ser gay é como ter determinada cor dos olhos ou de pele: é apenas quem você é. A maioria dos heterossexuais que eu conheço não escolheu ser heterossexual. É intrigante para mim porque as pessoas não entendem isso”, disse Zawitz.

Para entender melhor a parte genética, ninguém melhor do que Drauzio Varella nessa palestra impecável que vale a pena ser assistida:
 


Qual a diferença entre o homossexual e o heterossexual?

Desconstruindo o tal do “homossexualismo” parte 1 – Psicologia e Genética
Assim como os héteros, os homos também podem ter uma família na base do afeto e do respeito.

Apenas com quem faz a atividade sexual, fora isso, geralmente falando, o homo, seja mulher ou homem, são pessoas bem ajustadas psicologicamente assim como os heterossexuais. A maioria deles trabalham, dão valor à amizades e obedece a leis civis. Demonstram as mesmas diferenças de personalidade encontradas entre as pessoas heterossexuais, como empatia ou egoísmo, e até diferentes graus de masculinidade e feminilidade, nem todos os homossexuais demonstram não conformidade ao gênero. 


Na segunda parte do nosso artigo, falaremos sobre as questões religiosas, afinal, é pecado? Abominação? Aguardem...


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Desconstruindo o tal do “homossexualismo” parte 1 – Psicologia e Genética Desconstruindo o tal do “homossexualismo” parte 1 – Psicologia e Genética Reviewed by Fala Berenice on 12:30:00 Rating: 5
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