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“Joanne” traz a melhor fase da artista Stefani e a pior para o produto Lady Gaga

“Joanne” traz a melhor fase da artista Stefani e a pior para o produto Lady Gaga

Lady Gaga não é mais a mesma, fato, mas isso é ruim? Olhando em outra perspectiva acredito que você também não seja a mesma pessoa de 7, 8 anos atrás, eu por exemplo em 2009 usava lápis de olho, passava pó no rosto e era meio homofóbico mesmo sendo gay, atualmente não uso nada no rosto e odeio homofobia, visto que com o tempo amadureci minhas ideias e mudei meus gostos. Se cada um de nós sofre transformações sociais, mentais e espirituais com o tempo, por que a Gaga precisa ser a mesma pessoa que surgiu em 2008?

O quinto álbum de estúdio intitulado “Joanne” em homenagem a sua falecida tia, chegou ao mundo na sexta-feira (21), recebendo muitos aplausos de fãs e admiradores do talento da Mother Monster, porém, ainda há uma parcela, mesmo que pequena, de “little monsters” que insistem em vê-la como um produto, para eles Lady Gaga se resume a vestido de carne, músicas eletrônicas com vídeos coreografados e divulgação de singles em mil lugares para não “flopar.”



Em 2013 em um show do iTunes Festival, Gaga comentou sobre não ser manipulada pela indústria em prol de fazer sucesso, sendo assim, um verdadeiro LM deveria saber que, mais do mesmo ela nunca vai fazer, o produto Lady Gaga não existe, a artista sim.
"Deixe-me lhe dizer algo. Se você rasgar a porra do meu hair brow, tira a peruca da porra da minha cabeça, tirar meus sapatos, meu sutiã, cada coisa no meu corpo e me colocar em um piano com um microfone, eu vou fazer você chorar! Se você quer que eu seja fabricada, vá se ferrar. " Gaga em entrevista a revista NME em 2011.
Desde o The Fame (2008) ela vem se arriscando em diferentes caminhos, teve o Born This Way (2011) que tratou de assuntos polêmicos como casamento gay, sexualidade, governo, feminismo, confiança e religião. Uma artista que um dia lançou algo doce e colorido como Eh, Eh (Nothing Else I Can Say), trouxe outro mundo com um clipe chamado Judas, choveu uma chuva de críticas negativas e alguns problemas com religião pelos países asiáticos, shows da Born This Way Ball tiveram que ser cancelados devido a protestos.

“Joanne” traz a melhor fase da artista Stefani e a pior para o produto Lady Gaga

Mesmo com o sucesso de vendas e uma turnê mundial lucrativa, Gaga não quis repetir a “receita do sucesso” e lançou um disco de EDM, intitulado ARTPOP, que veio carregado de conceitos, porém , com muito falatório desnecessário, boa parte dessa era ficou a desejar, um aplicativo que não deu certo, uma segunda versão que nunca saiu do estúdio, além de performances contraditórias e clipes cancelados que colaboraram para sujar a sua imagem. Gaga se preocupou mais no conceito do que com o conteúdo, mas o pior de tudo foi muitas pessoas virarem as costas para ela que acabou entrando em depressão.


Mas ela tinha uma carta na manga, e a maior de todas, o seu talento que parece ser infinito. Nesses últimos três anos Gaga foi do 8 ao 80 evoluindo nas diferentes áreas, lançou um álbum de Jazz com o consagrado Tony Bennett, que levou um Grammy pra casa e ainda ganhou uma turnê de sucesso. Em 2015 se apresentou no Oscar em um tributo ao filme Noviça Rebelde, sendo aclamada pela crítica, e não parou por aí, foi eleita a mulher do ano pela Billboard, recebeu o prêmio de Contemporary Icon Award pelo Hall da Fama dos Compositores, e sua estreia como atriz na série American Horror Story fez ela ganhar um Globo de Ouro. Teve ainda uma nomeação ao Oscar por Til It Happens To You, Super Bowl, Tributo a Frank Sinatra, David Bowie e Stevie Wonder, ufa, muita coisa! Lady Gaga mostrou ser uma artista completa!



Mas vamos falar do “Joanne”. Na segunda-feira (17) recebo às 13h da tarde notificações no meu celular: “Joanne vazou”, meu coração disparou e muito, fiquei três anos esperando um novo álbum pop da Stefani, pra um admirador é uma carga de alegria enorme, imagina então para alguém que se tornou fã ao assistir ela dançando no metrô com maiô e jaqueta cinza em Love Game! Bom confesso que fiz a linha “só vou ouvir no lançamento”, mas não aguentei, coloquei (ou melhor enterrei) dois fones nos meus ouvidos, deitei na cama, fechei os olhos e play.

Gaga não mentiu quando disse que Joanne e Born This Way são irmãos, é um álbum com uma carga enorme de sentimentos, com Diamond Heart eu pulei da cama e fiz da minha almofada uma guitarra, me senti em um show de rock! E aí vem a vibe boa de A-YO, um country delicioso! Mas o coração aperta quando a voz da Gaga fica emotiva cantando a faixa título do disco - Pegue minha mão, fique, Joanne, o céu não está pronto para você, cada pedaço do meu coração machucado precisa mais de você do que os anjos – a ligação de Gaga com a tia Joanne é extremamente forte:
"A irmã do pai, Joanne, morreu quando tinha 19 anos e ele tinha 16. Quando minha mãe estava noiva do meu pai, eles foram para a casa onde meu pai cresceu. Uma luz entrou no quarto, tocou a barriga da minha mãe e foi embora. Ela acredita que Joanne veio ao quarto e transferiu seu espírito para minha mãe", disse Gaga em uma entrevista a Vanity Fair em 2010.

Tem as dançantes John Wayne com Josh Homme na guitarra! E Dancin’ in Circles que bebe da fonte tropical music e o reggaeton com um pegada puxada pro funk! Mas eu preciso falar sobre a minha favorita, Come To Mama, bem pelo que entendi a música é sobre a importância de a humanidade ser unida já que todos somos irmãos em espirito - Todos temos que amar uns aos outros, parar de jogar pedras em nossas irmãs e irmãos, cara, não foi muito tempo atrás que vivíamos na selva, então por que temos que botar uns aos outros para baixo? Quando há mais amor do que o suficiente para vi-vi-viver – Vivemos em uma sociedade que está presa ao egoísmo e ao orgulho, defeitos que causam as maiores tragédias, Gaga traz o “aquele que não tiver pecado que atire a primeira pedra. ” - Então por que temos que dizer uns aos outros como viver? As únicas prisões que existem são aquelas nas quais colocamos uns aos outros – Muitas pessoas se preocupam mais em separar e causar guerras do que a unir todos a favor da fraternidade, Come To Mama é para a humanidade abraçar as diferenças e lutar pela paz!

Tem hino feminista sim! Hey Girl já nasceu clássica com uma produção que lembra as baladas dos anos 80, e o clima Beatles de Just Another Day te faz querer mais baladinhas em Joanne.

Lady Gaga poderia ir pelo caminho mais fácil e fazer o que a indústria está pedindo atualmente, músicas com batidas repetitivas e refrões bobos, mas ela escolheu escrever canções que falam sobre uma amizade pura em Grigio Girls, e tocar o coração de muitos em Angel Down uma música sobre o assassinato trágico de Trayvon Martin.

Ela guardou os look’s extravagantes e os conceitos pretenciosos em um baú e mostrou sua alma entregando seu melhor álbum, se algum “little” ou admirador não está gostando dessa era, é uma pena, tá na hora de parar de querer limitá-la a um produto e aceitá-la como a maravilhosa musicista que ela é, falar sobre amor e união é mais valioso do que ter mais um "bad romance."

“Joanne” traz a melhor fase da artista Stefani e a pior para o produto Lady Gaga “Joanne” traz a melhor fase da artista Stefani e a pior para o produto Lady Gaga Reviewed by Fala Berenice on 19:55:00 Rating: 5
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