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Mitos e verdades sobre a Dependência Química no filme Paraísos Artificiais

Mitos e verdades sobre a Dependência Química no filme Paraísos Artificiais Blog Fala Berenice

Deslizando numa linha do tempo um tanto confusa, Paraísos Artificiais trata de um assunto que não é novo no cinema, porém o diretor Marcos Prado, traz de uma forma perspicaz não só a questão do uso da droga como também as relações enfraquecidas devido ao uso. Começando por Lipe (César Cardeiro), irmão de Nando (Lucas Biachi), que não consegue lidar com a morte do pai que morreu afogado, culpando Nando porque ele cancelou a pescaria para ir a uma rave, e tudo piora após sua prisão por tráfico, Lipe não consegue lidar com o luto, e se entrega ao álcool apresentando agressividade, sinal de sua revolta por ter ficado sozinho com a mãe que volta e meia fuma um cigarro pra relaxar e apresenta uma aparência de tristeza profunda.

Em seguida somos levados para um pano de fundo mais próximo a “Paraísos Artificiais”, em uma boate, Nando conhece Erika (Nathalia Dill), enquanto seu amigo Patrick (Bernardo Melo) transa com uma mulher, e utiliza cocaína para estimular aquele momento. Em nenhuma cena de sexo do filme é falado ou mostrado o uso de preservativo, mas mostra de maneira exagerada o corpo da mulher nessas relações. 

Voltamos ao passado, onde Erika viaja para uma praia do Nordeste com sua amiga Lara (Lívia Bueno), o diretor deixa no ar algumas coisas, a primeira é o diálogo que Erika tem com um senhor, que dá uma droga a ela e fala que conhecimento demais enjoa, a frase pode ter diferentes interpretações, entrando no contexto da droga, pode ser o excesso de informação que a família e a sociedade tenta “enfiar” na cabeça do usuário que a droga é ruim, fazendo ele “enjoar”, desse discurso muitas vezes hipócrita, falso moralista e continuo. Ao descer do ônibus, Erika e Lara conversam sobre o evento, e ambas estão em uma vibe bem diferente, Erika está nervosa e insegura porque vai tocar na rave e Lara em paz e tranquila com aquele lugar. Esse é um ponto muito importante muito importante no filme, mostra claramente a relação que cada pessoa tem com a droga e o quanto isso influencia o seu efeito, no caso delas, por experimentarem uma droga alucinógena que pertence à classe de Perturbadoras do Sistema Nervoso Central, ambas começam a “viajar” em uma alucinação visual, porém, enquanto o bem-estar de Lara aumenta, a insegurança de Erika também aumenta. Isso me fez lembrar de uma cartilha chamada Conversando Sobre Drogas, feita pelo SENAD, onde mostra um estudo apontando que a expectativa que depositamos na droga faz toda a diferença quanto a nossa reação ao experimenta-la. 



Chegando na praia, não demora para o som alto e o comportamento frenético começar, evidentemente há apenas o uso das drogas perturbadoras e/ou estimulantes, não aparece em momento algum o uso do álcool ou outras drogas que diminui a atividade do cérebro.

O filme retrata bem o que podemos encontrar em uma rave, e desconstrói alguns mitos, como a questão do traficante ser aquela figura que vive na periferia, o traficante do filme é um homem branco de classe média alta, outra coisa que é muito bem desconstruída é o “todo mundo que frequenta rave é dependente químico”, não, em uma cena isso fica claro, onde Patrick oferece a droga a Nando e fala que a primeiro vez dele (Nando) será inesquecível, ou seja, o uso que Nando estava fazendo ali era experimental, Erika tinha um uso recreativo que acontece muito quando o jovem busca consolidação da identidade, e ela fala que não sabe o que procura.

Existem vários padrões do uso da droga e é bem retratado no decorrer do filme.

Intervenção para Redução de Danos


Há cenas com algumas pessoas bebendo muita água, o que é uma boa redução de danos, porém algumas outras medidas de cuidado a saúde desses usuários podem ser tomadas. Uma montagem de espaço para ações de informações e redução de danos, com distribuição de informativos e preventivos relacionados ao consumo de drogas (ex: camisinha), e claro a disponibilização de água. 

Algumas informações podem incluir a questão de estar descalço por muito tempo, podendo assim causar algum ferimento no pé seguido de uma injeção, o uso de protetor solar, Lara não usava e ficava a mercê de queimaduras, câncer de pele, etc. Óculos de sol também é uma boa dica pois evita os riscos de doenças oculares. 


Mitos e verdades sobre a Dependência Química no filme Paraísos Artificiais Mitos e verdades sobre a Dependência Química no filme Paraísos Artificiais Reviewed by Fala Berenice on 09:53:00 Rating: 5
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